Com CNPJ, o psicólogo paga o DAS do Simples Nacional sobre o faturamento: 6% no Anexo III quando a folha (pró-labore com encargos) é de pelo menos 28% da receita, ou 15,5% no Anexo V quando não é. Emite NFS-e para cada paciente, retira pró-labore com INSS de 11%, distribui lucros isentos e entrega as obrigações da empresa (PGDAS-D, DCTFWeb, DEFIS, DMED). Acima de R$ 8 mil mensais, esse modelo costuma custar menos do que o carnê-leão.
Você está nesta fase se…
- Fatura a partir de R$ 8 mil por mês, com pacientes particulares, e abriu CNPJ (ou está decidindo abrir).
- Quer entender o Fator R de verdade, e não só 'pagar 6%'.
- Tem dúvida sobre quanto retirar de pró-labore e o que pode distribuir como lucro.
- Emite nota ou vai começar a emitir, e já ouviu falar de DMED.
O modelo contábil desta fase
O modelo é a sociedade limitada unipessoal (SLU) ou a sociedade simples com um ou dois sócios psicólogos, com CNAE 8650-0/03 e opção pelo Simples Nacional. Veja Como abrir CNPJ de psicólogo. A rotina tem cinco peças:
- DAS e Fator R. O imposto mensal sai do PGDAS-D, com base na receita bruta dos últimos 12 meses (RBT12) e no anexo. O Fator R é recalculado todo mês: folha dos 12 meses dividida pela receita dos 12 meses. Veja Fator R para psicólogos.
- Pró-labore. É a sua remuneração como sócio que trabalha. Tem INSS de 11% retido (base mínima: salário mínimo) e IRRF pela tabela, com o redutor de 2026. É o instrumento que leva ao Anexo III. Veja Pró-labore e distribuição de lucros.
- Distribuição de lucros. O que sobra depois dos impostos e do pró-labore pode ser distribuído sem imposto de renda, desde que a contabilidade comprove o lucro. Desde 2026, lucros acima de R$ 50 mil por mês para a mesma pessoa sofrem retenção de 10% (Lei nº 15.270/2025).
- NFS-e. Uma nota por atendimento ou por pacote de sessões, emitida pelo sistema da prefeitura ou pelo emissor nacional, com o CPF do paciente. A nota substitui o Receita Saúde, que é só para pessoa física. Veja Nota fiscal de psicólogo.
- Obrigações da empresa. PGDAS-D e DAS todo mês; DCTFWeb e eSocial do pró-labore; DEFIS uma vez por ano; e a DMED, declaração anual com os pagamentos recebidos de pessoas físicas, que a Receita cruza com as declarações dos pacientes.
Quanto custa a empresa
Com R$ 12 mil de faturamento mensal, pró-labore de R$ 3.360 (28%) e Anexo III, o DAS fica em R$ 720 e o INSS do pró-labore em R$ 369,60, sem IRRF (o redutor de 2026 zera o imposto de rendimentos até R$ 5 mil); somados aos honorários do plano Profissional PJ (R$ 420), o custo mensal é de R$ 1.509,60, contra R$ 2.391,27 de carnê-leão sem deduções. A diferença varia com as suas deduções como autônomo e com a folha; faça a conta com o simulador Autônomo x CNPJ. Veja Quanto um psicólogo paga de imposto.
Quanto você precisa saber
Nível Intermediário Esta fase exige um nível intermediário de conhecimento fiscal. O que cabe a você, o que vale entender e o que fica com a contabilidade:
Você precisa dominar
- Emitir a NFS-e a cada recebimento, com o CPF do paciente
- Pagar o DAS até o dia 20 e o INSS do pró-labore
- Transferir o pró-labore e os lucros com clareza, sem 'caixa misturado'
Vale entender
- Como o Fator R é recalculado todo mês e por que ele pode cair
- O que é lucro distribuível e o que é só caixa
- O que a DMED entrega à Receita sobre os seus pacientes
Fica com a Psique
- PGDAS-D, DAS, DCTFWeb, eSocial, DEFIS e DMED
- Calibração do pró-labore para o Fator R, mês a mês
- Balancete mensal para comprovar a distribuição de lucros