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Fase 05 de 05

Clínica: gestão de pessoas, regime e risco

Agora há outros profissionais, recepção, salas e um financeiro que não cabe mais na planilha do consultório. A pergunta deixa de ser 'quanto pago de imposto' e passa a ser 'qual estrutura sustenta o crescimento'.

Resposta rápida

A clínica de psicologia pode ficar no Simples Nacional (Anexo III com Fator R de 28%, ou Anexo V) ou optar pelo Lucro Presumido, em que IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS somam cerca de 13,3% mais o ISS municipal, com o INSS patronal à parte. O que decide é a folha: clínica com equipe CLT e pró-labore relevante tende ao Simples no Anexo III; clínica que repassa a maior parte da receita a parceiros pessoa jurídica pode ficar melhor no Presumido. A estrutura de contratação (CLT, parceria, sublocação) é a decisão mais sensível, pelos riscos trabalhistas.

Você está nesta fase se…

  • Tem dois ou mais profissionais atendendo sob a mesma marca, com recepção e salas.
  • Fatura a partir de R$ 20 mil por mês, com parte da receita repassada a quem atende.
  • Precisa decidir entre contratar CLT, fazer parceria com profissionais autônomos ou com CNPJ, ou sublocar salas.
  • Atende convênios e particulares, e sente que o financeiro ficou opaco.

O modelo contábil desta fase

A clínica é uma empresa com três camadas: o regime tributário, a forma de remunerar os profissionais e as obrigações próprias do serviço de saúde.

Regime: Simples Nacional ou Lucro Presumido

  • Simples Nacional. DAS único, com Anexo III (a partir de 6%) se o Fator R chegar a 28%, ou Anexo V (a partir de 15,5%). A folha de salários dos funcionários e o pró-labore dos sócios contam para o Fator R, e a contribuição patronal já está dentro do DAS.
  • Lucro Presumido. IRPJ (15% sobre 32% da receita, com adicional de 10% acima de R$ 60 mil por trimestre), CSLL (9% sobre 32%), PIS (0,65%) e COFINS (3%) sobre a receita, ISS do município (2% a 5%) e INSS patronal de cerca de 27,8% sobre a folha, mais 20% sobre pró-labore e pagamentos a autônomos. A equiparação hospitalar, que reduz a base para 8%, não alcança a psicologia. Veja Lucro Presumido para clínica de psicologia.

Como remunerar quem atende

  • CLT. Salário, 13º, férias, FGTS, eSocial. Custa cerca de 1,2× o salário no Simples e mais no Presumido, mas elimina o risco de vínculo e dá previsibilidade.
  • Parceria com profissionais pessoa jurídica. Cada um emite nota para a clínica (ou para o paciente, conforme o modelo), e o contrato precisa mostrar autonomia real: agenda própria, possibilidade de atender fora, ausência de subordinação. Sem isso, há risco de reconhecimento de vínculo.
  • Parceria com autônomos pessoa física. A clínica retém 11% de INSS e IRRF e, fora do Simples, paga 20% de INSS patronal. É o modelo mais caro e o mais arriscado.
  • Sublocação de salas. O profissional paga pelo uso da sala e atende em nome próprio. A receita de locação com serviços (recepção, agenda, limpeza) pode ser tributada como serviço; locação pura de imóvel próprio é vedada no Simples. Veja Como montar uma clínica de psicologia.

Obrigações do serviço de saúde

Registro da pessoa jurídica no CRP, com responsável técnico; alvará de funcionamento e, conforme o município, licença sanitária; DMED anual com os pagamentos de cada paciente; guarda de prontuários pelos prazos do CFP; LGPD com base legal, contrato com fornecedores de sistema e política de acesso aos dados clínicos. A contabilidade precisa lidar com tudo isso sem nunca ver o conteúdo clínico. Veja Ética, sigilo e prontuário.

Quanto você precisa saber

Nível Avançado Esta fase exige um nível avançado de conhecimento fiscal. O que cabe a você, o que vale entender e o que fica com a contabilidade:

Você precisa dominar

  • Ler o DRE mensal da clínica: receita, repasses, folha, fixos, impostos, resultado
  • Os contratos de parceria e seus sinais de vínculo
  • O fluxo de caixa com convênios de 30 a 60 dias

Vale entender

  • Por que a folha decide entre Simples e Presumido
  • O custo real de cada modelo de contratação
  • Como a DMED e o Receita Saúde dos parceiros se encaixam

Fica com a Psique

  • Comparativo anual de regime, com os números da clínica
  • Folha, eSocial, DCTFWeb, DMED e obrigações municipais
  • Balancete e DRE mensais, com reunião de resultados
Simulador

Clínica: Simples Nacional ou Lucro Presumido

Para quem tem equipe. Compare os regimes com o seu faturamento, o modelo de contratação dos profissionais e a folha.

R$
%

Percentual da receita que fica com quem atende. Ignorado no modelo CLT.

R$

Ignorado nos modelos de parceria.

R$

Recepção, financeiro, limpeza: salários brutos.

R$
%

Entre 2% e 5%, conforme a cidade.

R$

Aluguel, condomínio, sistemas, marketing, contabilidade.

Simples Nacional: DAS pelo Anexo III ou V conforme o Fator R (folha com encargos e pró-labore ÷ receita), com a contribuição patronal dentro do DAS; custo CLT estimado em 1,2× o salário (13º, férias com terço e FGTS). Lucro Presumido: IRPJ e CSLL sobre a base presumida de 32% (com adicional de 10% acima de R$ 20 mil mensais), PIS e COFINS cumulativos (3,65%), ISS informado, INSS patronal com RAT e terceiros (cerca de 27,8% da folha) e 20% sobre pró-labore e autônomos. Não considera equiparação hospitalar (não se aplica à psicologia), retenções sofridas, incentivos municipais nem o Lucro Real. Usar valores de exemplo

Fator R—
0%28%60%+
Simples Anexo III
—
Simples Anexo V
—
Lucro Presumido
—
Simples IIISimples VLucro Presumido

Preencha os campos para ver o resultado.

O calendário desta fase

QuandoO quê
DiárioAgenda, recebimentos e repasses registrados por profissional.
Até o dia 7FGTS Digital; fechamento da folha e dos repasses do mês anterior.
Até o dia 15eSocial e DCTFWeb; INSS da folha e do pró-labore; retenções de parceiros PF.
Até o dia 20DAS (Simples) ou, no Presumido, DARFs de PIS/COFINS até o dia 25 e IRPJ/CSLL no último dia útil do mês seguinte ao trimestre.
MensalDRE e balancete; conciliação de convênios; reunião de resultados.
AnualDMED (fevereiro), DEFIS ou ECF/ECD, renovação de alvará e licença sanitária, revisão do regime em janeiro.

Erros que custam caro nesta fase

  1. Escolher o regime 'pelo que o colega paga'. A opção vale o ano inteiro e só muda em janeiro; a conta precisa ser feita com a sua folha e os seus repasses.
  2. Chamar de parceria o que é emprego. Horário fixo, exclusividade e ordens diretas caracterizam vínculo, com passivo de anos.
  3. Sublocar sem contrato e sem nota. A receita precisa aparecer e o modelo precisa ser coerente com o CNAE e o regime.
  4. Deixar o caixa da clínica financiar a vida dos sócios. Sem pró-labore definido e lucro apurado, não há distribuição isenta nem clareza de resultado.
  5. Ter o prontuário no sistema sem política de acesso. O risco é ético, de LGPD e reputacional; a contabilidade não deve ter acesso ao conteúdo clínico.

Materiais desta fase

Guias desta fase

Verbetes para dominar

O plano indicado

Clínica

Rotina fiscal e trabalhista completa, comparativo anual de regime, DRE e balancete mensais, conciliação de convênios e reunião de resultados. 13º honorário e reajuste anual pelo IPCA.

R$ 1.612/mês + R$ 60 por funcionárioPsique Contábil

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Perguntas frequentes

Clínica de psicologia pode usar a equiparação hospitalar?

Não. A base reduzida de 8% do Lucro Presumido vale para serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia listados na lei, prestados por sociedade empresária com estrutura hospitalar. A psicoterapia não está nesse rol.

Com cinco profissionais parceiros PJ, Simples ou Presumido?

Depende da folha e do repasse. Se a clínica repassa 60% da receita a parceiros PJ e tem pouca folha, o Fator R fica abaixo de 28%, o Simples cai no Anexo V (15,5% ou mais) e o Presumido pode custar menos. Use o simulador acima com os seus números.

Profissional parceiro pode emitir nota direto para o paciente?

Pode, no modelo de sublocação: cada um atende em nome próprio e paga à clínica pelo uso da estrutura. A clínica então fatura a sublocação (com serviços), e não o atendimento.

A clínica precisa de registro no CRP?

Sim. Pessoas jurídicas que prestam serviços de psicologia registram-se no CRP, com responsável técnico psicólogo, e pagam a anuidade de pessoa jurídica.

Qual a margem razoável de uma clínica?

Clínicas bem geridas, com repasse de 50% a 60% e ocupação acima de 70% das salas, costumam operar com resultado entre 10% e 20% da receita depois de impostos e pró-labore. Abaixo disso, a conta de ocupação ou de repasse precisa ser revista.

Conteúdo informativo, elaborado pela equipe da Psique Contábil com base na legislação e nas orientações públicas vigentes em outubro de 2026. Os simuladores fazem estimativas simplificadas. Regras fiscais e profissionais mudam, e cada caso tem particularidades: confirme a sua situação com um contador antes de decidir.

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